fevereiro 02, 2007

Cross-player

Cross-player é um novo e ambicioso conceito que pode revolucionar os jogos para PC, ou no mínimo criar um novo gênero. Segundo os criadores do termo, é uma combinação entre single-player e multi-player.

A idéia, que é explicada pelo produtor Raphael Colantonio do estúdio francês Arkane no vídeo abaixo, está sendo posta em prática no desenvolvimento do game The Crossing, próximo título do estúdio. Há também uma ótima entrevista sobre o jogo no 1up.



Como em um single-player a "inteligência artificial é estúpida" e "multi-player é sem sentido", um jogo cross-player teria o envolvimento e a estrutura narrativa que existe em um jogo para um jogador, além de inimigos tão inteligentes quanto você, já que todos os NPCs (Non-Player Characters) são na verdade outros jogadores.

Imagine uma partida de Half-Life misturada com Battlefield, e enquanto um jogador é protagonista da história principal, outros competem entre si em um ranking. Outra possibilidade é que os jogadores controlem os "corpos" dos inimigos pelo caminho, como o agente Smith do filme Matrix.

Uma idéia semelhante ao cross-player existe no gratuito Savage, uma mistura de jogo de estratégia (RTS - Real-Time Strategy) com jogo de tiro em primeira pessoa (FPS - First Person Shooter), uma espécie de Warcraft onde todas as unidades do jogo são jogadores de verdade. O jogo foi criado pela S2 Games e essa fusão de gêneros é chamada por eles de RTSS (Real-Time Strategy Shooter).

O cross-player, se funcionar como dizem, seria a alternativa ideal para tornar os jogos mais imprevisíveis, todo mundo sabe que jogar xadrês contra um computador é muito mais chato do que jogar contra outra pessoa.

O MSN Gaming Zone da Microsoft oferece alguns jogos simples de tabuleiro como gamão, damas e copas, que, ao invés de disponibilizar uma inteligência artificial desenvolvida para jogar, procura outro jogador on-line que também esteja interessado em disputar uma partida. O que interessa é o jogo, não o relacionamento entre os participantes, tanto é que as opções de mensagens que um indivíduo pode enviar ao outro são apenas frases pré-definidas (que provavelmente são traduzidas simultaneamente para a língua de cada jogador). O elemento humano é utilizado apenas como uma opção mais eficiente, por ser mais aleatória e mais imprevisível que uma inteligência programada.

Até agora as idéias envolvendo o cross-player giram em torno de jogos de tiro, mas como seria o mesmo conceito aplicado a outros gêneros? Seria interessante interpretar um inimigo do Megaman enquanto outro jogador tenta derrotá-lo, ou jogar como Koopa ou como um Goomba em uma partida de Super Mario Bros.

Um comentário:

Alexandre Maravalhas disse...

Só é um pouco difícil imaginar uma mecânica saudável em um jogo linear com muitos integrantes e não um só protagonista. Bem, o jogo obviamente teria que ofertar múltiplos objetivos, do contrário a "galera cairia em cima" das etapas seguintes. E quem ficasse pra trás? Enfim, conceitos novos. E já é de "sempre" que vários tipos de jogos, senão todos, tornam-se previsíveis quando jogados pela segunda vez.