outubro 01, 2007

Playing Columbine

Danny Ledone está criando um documentário sobre toda a controvérsia gerada em cima de seu jogo Super Columbine Massacre RPG!.

Playing Columbine: a true story of videogame controversy mostra os pontos de vista de grandes nomes da indústria dos games sobre a tragédia, e sobre a perseguição sofrida pelo jogo pelo simples fato de tocar no assunto.

Confira o trailer abaixo:



Um pensamento: o grande mérito de Ledone foi considerar o videogame como um meio de expressão tão válido quanto qualquer outro para tratar de um assunto tão sério e polêmico. Por que não extender essa idéia e, ao invés de um vídeo-documentário, produzir um jogo sobre a controvérsia?

agosto 30, 2007

Download: monografia Hipergames

Finalmente consegui disponibilizar para download minha monografia completa.

Clique aqui para baixar o arquivo em pdf (2.919KB).

Vale lembrar que alguns trechos parecerão desatualizados (o trabalho foi apresentado em 2005), mas a maioria do que está escrito ali continua sendo relevante para discussão.

Ficarei feliz em receber críticas, opiniões, dúvidas etc.

Boa leitura!

maio 05, 2007

Henry Jenkins fala sobre violência

Depois do recente tiroteio no Instituto Politécnico de Virgínia o debate sobre violência e videogames voltou à tona.

Henry Jenkins escreveu alguns pensamentos sobre o tema em seu blog, e o texto é leitura obrigatória para quem se interessa pelo tema.

Para Jenkins existe uma lógica distorcida por trás da idéia de que videogames causam violência. A falácia é a seguinte: "Representar uma coisa é advogá-la, e advogá-la é causá-la."

Essa noção errada somada ao preconceito "Videogames são apenas brinquedos para crianças", na minha opinião, é que causa a histeria que vemos em muitos noticiários e matérias de jornal.

Leia o artigo completo: A Few Thoughts on Media Violence...

Vale conferir também o livro Brincando de Matar Mostros de Gerard Jones.

abril 25, 2007

Roy Block

Roy Block é um projeto muito interessante do estudante alemão Sebastian Schmieg. O jogo tem uma heroína com vontade própria, e tudo que o jogador pode fazer é pressionar dois blocos de madeira contra a tela para que ela possa pular em cima deles e chegar do outro lado.

Confira o site oficial do projeto e abaixo um vídeo que mostra como funciona o jogo.

(Dica do meu amigo Faiolli. Valeu!)

abril 21, 2007

5 blogs que me fazem pensar

O amigo lusitano André Carita me indicou para o meme thinking blogger award, e eu humildemente passo adiante. A seleção é muito difícil, mas no momento estes são os 5 blogs que ocupam lugar de honra nos favoritos do meu leitor de RSS.

5 blogs que me fazem pensar:

Vale lembrar que eu omiti da lista o próprio Pensar Videojogos e outros que já estavam em sua lista, e que o Game Cultura tecnicamente não é um blog, mas uma comunidade.

março 27, 2007

Understanding Games

Uma hipótese recorrente entre pessoas que estudam games é que quando alguém conseguir fazer um videogame sobre videogames, este poderá ser considerado um meio de comunicação completo.

E é mais ou menos isso o que o alemão Andreas Zecher está tentando fazer.

À imagem de Scott McCloud, que conseguiu com Desvendando os Quadrinhos (Understanding Comics) criar uma história em quadrinhos sobre histórias em quadrinhos, Zecher criou o Understanding Games, uma série que aborda de forma interativa conceitos básicos dos videogames.

Até o momento existem apenas três episódios, e apesar de o esforço de Zecher ser muito bem-vindo, o resultado não é muito satisfatório.

As simulações passam conceitos muito elementares e alguns até mesmo questionáveis, e em certos momentos os personagens, o tom ultra-didático e os joguinhos repetitivos se tornam cansativos.

A referência à McCloud no nome portanto é exagerada, Understanding Games não é o videogame metalinguístico definitivo, vale mesmo pela intenção do autor. Confira nos links:

março 21, 2007

Arte e violência

Se o videogame é mesmo um meio de comunicação e um elemento de cultura, por que poucos assuntos relevantes aparecem na forma de games? Onde estão os games sobre assuntos sérios como, por exemplo, o Holocausto nazista?

Claro que existem dezenas de jogos sobre a Segunda Guerra, mas estes têm foco apenas na violência: são na grande maioria FPSs onde o jogador é sempre um soldado lutando no campo de batalha.

Não que exista algo errado com jogos assim, eu mesmo sou um fã das séries Call of Duty e Medal of Honor, mas por que o protagonista sempre deve ter uma arma? Por que não existe um personagem de videogames como o impotente Wladyslaw Szpilman no filme O Pianista: um artista tentando sobreviver em um mundo que de repente virou de pernas pro ar? Ou como Guido Orefice em A Vida é Bela, um pai de família que é obrigado a colocar seu próprio sofrimento de lado para proteger o filho dos horrores da guerra?

Foto: Guy Ferrandis, 2002.

Há dezenas de outros assuntos que envolvem um cenário de guerra, não somente a parte onde os soldados atiram uns nos outros. Todos os outros meios de comunicação já perceberam isso, apenas os videogames insistem em nos trazer somente o lado violento (o que só favorece discursos conservadores como os do maluquinho Jack Thompson).

Mas será que jogar com personagens tão humanos e impotentes continuaria sendo divertido? Afinal, grande parte da graça de interpretar o papel do herói nos videogames é poder salvar o dia. Muitas narrativas fortes da literatura e do cinema culminam na morte do personagem principal, o que na grande maioria dos jogos equivale a perder o jogo. Porém, como já falamos aqui, as vezes perder é ganhar.

David Edery escreveu um pequeno artigo sobre "Depressing" Games que questiona se jogos onde o jogador não é necessariamente o herói seriam ou não sucessos de venda, mas, como ninguém tentou algo desse tipo ainda, não há como saber. De qualquer forma uma produção que almeje algum valor artístico não deveria ser guiada meramente por retorno financeiro.

Para piorar, muitas pessoas envolvidas diretamente com grandes produções enxergam os videogames apenas como produtos, e não vêem o meio como uma potencial forma de arte. Vale a pena conferir este artigo sobre o assunto no Gamasutra que questiona pela enésima vez se videogames são ou não arte.

Independente de ser arte ou não, é preciso aumentar a gama de assuntos tratados nos videogames. Há uma repetição temática muito grande, e muitos apelam exclusivamente para a violência.

Chris Crawford no livro Chris Crawford on Game Design diz que é preciso promover uma “evolução do gosto” nos videogames. Para ele os videogames se encontram em um estágio comparável ao dos doces e balas, comidas divertidas e de gosto intenso que agradam o paladar infantil. E da mesma forma que uma pessoa cresce e deixa de gostar somente de doces para experimentar os mais diversos tipos de culinárias, os videogames precisam também crescer e buscar novos sabores.

"Violência nos games é como Wagner tocado por 18 horas com os graves ligados no máximo. É como cereal de chocolate em leite achocolatado com respingos de chocolate e bombons de chocolate no topo. [...] É exagerado. É tanto da mesma coisa que se torna desagradável." (CRAWFORD, 2003)